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    O herói que o Gre-Nal precisa

    O cara que é a cara do Clube que é do povo!/Foto: Ricardo Duarte

    Há quem diga que a vida imita a arte, mas nem o mais criativo dos roteiristas seria capaz de elaborar trama tão envolvente quanto a que marca os primeiros meses da segunda passagem de Taison pelo Inter. Multicampeão com o Clube do Povo na década retrasada, o camisa 10 já era amado pela torcida quando deixou o Beira-Rio, mas nada comparável ao sentimento de idolatria hoje nutrido pelo povo por seu craque, artilheiro do Gre-Nal disputado no último sábado (06/11).

    Taison marcou seu primeiro em clássicos no último sábado/Foto: Ricardo Duarte

    Quando partiu para o velho continente, Taison era um jogador muito diferente desse que retornou a Porto Alegre no último mês de abril. Antes camisa 7 e ponta-esquerda, dono de lépidos dribles que o transformavam no passista do Beira-Rio, o pelotense hoje se sobressai como maestro da Academia do Povo. Pensador e cerebral dentro das quatro linhas, fora delas o colorado de coração nada perdeu da humildade que o transforma em um legítimo representante da essência do Internacional.

    Ao longo das últimas semanas, o cara que é a cara do Clube que é do povo semeou coincidências donas de significado que transcende em muito o peso que uma simples camisa poderia suportar. Seu primeiro gol na nova trajetória de vermelho, por exemplo, saiu exatamente diante do último rival que flagelara em 2010. Tido por todos como imbatível, o adversário foi superado no mais alvirrubro dos Maracanaços, que virou tela para a pintura feita ao longo de dezenas de metros pelos pés do desbravador colorado.

    Taison marcou um golaço contra o Flamengo/Foto: Ricardo Duarte

    Já o segundo tento encontrou moldura no número 891 da Padre Cacique. Em destaque na obra de arte, o artista. Ao fundo, seus iguais. No retorno da torcida ao Gigante, Taison balançou as redes no 5 a 2 do Inter sobre a Chapecoense. Depois de partir em disparada às arquibancadas da Avenida Padre Cacique, o camisa 10 comemorou o feito diante da antiga Coréia. Ali, ergueu o punho em um gesto que se confunde à história do Clube do Povo. Diante da êxtase popular, a imponência do regente imperava para o Brasil inteiro aplaudir.

    Camisa 10 marcou pintura contra a Chape/Foto: Ricardo Duarte

    Extremamente vitoriosa, mas longe de satisfazer seu autor, a história de Taison com a camisa do Inter ainda tinha uma lacuna que precisava ser preenchida. Grande nome de alguns dos clássicos que disputou no início do Século (como esquecer da arrancada de Erechim?), o ídolo ansiava por desencantar na rivalidade Gre-Nal. E poderia existir oportunidade melhor para o primeiro encontro com os barbantes azuis do que no recorde de público do Beira-Rio desde a reabertura dos portões de nossa casa?

    “Primeiramente, agradecer a torcida,

    que veio e lotou o nosso Beira-Rio.

    Essa vitória é de todos vocês, dos meus companheiros,

    que lutaram muito na semana para conseguir esse resultado positivo.

    Estou muito feliz!”

    Taison
    Gre-Nal 434 foi o clássico de Taison/Foto: Ricardo Duarte

    A supremacia colorada em Gre-Nais, ostentada desde 1945, foi construída através de alguns ícones que assumiram a função de simulacros da postura que se espera do Inter a cada clássico. Quantos não foram os capitães alvirrubros que se tornaram carrascos do maior rival? Para se ater aos últimos anos, impossível não lembrar do Eterno Fernandão, sempre sedento para reafirmar a imponência vermelha no Rio Grande do Sul.

    O mesmo podemos falar da camisa 10. Em momentos de angústia, quem nunca fitou os olhos na direção de D’Alessandro, ansioso por requinte de genialidade que catalizasse o Beira-Rio? Com o número certo às costas, e a braçadeira no braço, Taison entrou para a história da rivalidade no último 6 de novembro.

    10 e faixa para o Homem Gre-Nal/Foto: Ricardo Duarte

    Desejo esse gol para minha mãe, meu pai.

    Minha família, que está sempre comigo, me acompanhando.

    Também ao D’Alessandro, que me ligou hoje pela tarde

    desejando boa sorte. Vamo, Inter!”

    Taison

    Melhor em campo desde a abertura do confronto, o Inter custou a abrir o placar no embate de sábado. O encontro da bola com a meta adversária, porém, era inevitável, e saiu aos 39 da etapa inicial. Edenilson teve duas chances para encontrar Taison. Na primeira, a zaga cortou. Na segunda, o selecionável brilhou.

    Com açúcar, a bola cobrou exatos dois segundos para atravessar o campo de um lado a outro antes de cair no lado esquerdo da área gremista. O que nem todos perceberam foi que, enquanto o público prendia a respiração no aguardo do fim da jogada, muita coisa acontecia no templo da beira do Guaíba.

    Após deixar os pés de Edenilson, a assistência encontrou, ao longo de sua viagem, ares de D’Alessandro, que 86 passes para gol oferecera como mandante nos anos que imperou no Beira-Rio. Frente ao cruzamento do(s) companheiro(s), Taison voltou para 2009, e veloz como nos tempos de passista, desconcertou a marcação. Quando o camisa 10 ficou livre, quem entrou em ação foi a braçadeira. Ao lado do ídolo do presente, quase 26 mil almas juraram perceber Fernandão. Mortal nos cabeceios, o capitão foi torcedor, e indicou como o testaço deveria ser feito. E assim foi:

    Cada clássico tem sua biografia. A do 434, se confunde à do Inter. De ídolos carrascos, de capitães apaixonados, de craques colorados. Para vencer o rival pela vez 158, o Clube do Povo contou com Taison. Sobre essa história, que se diga, o melhor é que ela está longe de chegar ao fim. Sonhar não custa nada para quem conta com um camisa 10 que representa milhões. E disso ele sabe.

    O teu sorriso é a nossa alegria, ídolo!/Foto: Ricardo Duarte