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    Relembre grandes triunfos do Inter como visitante em Gre-Nais do início do século XXI

    O Internacional se consolidou, ao longo dos mais de 110 anos de história que soma, como um indigesto visitante. Fama das muitas que carrega orgulhoso, atesta a vocação do Colorado para adicionar, em plagas distintas do número 891 da Padre Cacique, feitos relevantes à rica biografia vermelha. Boa parte de nossa notoriedade em território adversário, inclusive, encontra justificativa na supremacia que exercemos nas mais variadas canchas gaúchas. Em especial, nos domínios de nosso maior rival.

    Partida da segunda rodada da fase de grupos da Libertadores, às 21h desta quinta-feira (12/03) o Inter visita o Grêmio, na Arena. De número 424, o clássico será o primeiro válido pelo principal torneio de clubes da América, oportunidade ideal para renovar a tradição colorada, em muito alimentada nos primeiros anos do atual século pela canhota de Daniel Carvalho, por arrancadas de Nilmar, cabeceios de Fernandão, pelo protagonismo de Iarley e sob a maestria de D’Alessandro. Relembre, abaixo, triunfos do Clube do Povo como visitante em Gre-Nais das temporadas que abriram os anos 2000!


    O Gre-Nal de Daniel Carvalho

    A primeira vitória colorada em Gre-Nais dos anos 2000 teve como palco o Estádio Olímpico. Ansioso por encerrar ingrato jejum de 13 partidas sem superar o rival, o Clube do Povo visitou o Grêmio para a disputa de confronto da segunda rodada do Gauchão. Comandado por Muricy Ramalho, o Internacional foi a campo escalado no tradicional 3-5-2, esquema que, à época, encontrava-se consagrado em todos os continentes, muito por conta do recente título brasileiro na Copa do Mundo de 2002. Na competição, Felipão formou a canarinho com três defensores, assim garantindo maior segurança à defesa e, também, grande liberdade de apoio aos laterais.

    Foto: Divulgação

    Realizado no dia 9 de fevereiro de 2003, o Gre-Nal de número 353 foi disputado, do lado alvirrubro, por Clemer; Luiz Alberto, André Cruz e Vinícus; Thiago Matos, Sangaletti, Flávio, depois Cleiton Xavier, Claiton e Ismael; Daniel Carvalho e Jefferson Feijão, depois Diego. Atual campeão estadual, o Inter buscava o Bicampeonato e, até por isso, após empatar por 1 a 1 com o Juventude, na estreia, um resultado positivo nos domínios gremistas tomava contornos ainda mais importantes. Obstinado, o Clube do Povo chegou a se abalar com o tento de Luís Mário, abrindo o marcador para os donos da casa aos 20 da etapa inicial, mas não a ponto de ter seu ritmo arrefecido. Também das arquibancadas a confiança foi mantida, com a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande cantando intensamente, fazendo-se local. “Dale! Dale Colorado! Com muito orgulho, no coração”, bradavam. Tamanho apoio, com justiça, foi recompensado no segundo tempo.

    Contagiados pela vibração não apenas de sua torcida, mas também de Muricy e Paulo Paixão, que muito motivaram nos vestiários, assim que reiniciado o duelo os atletas passaram a tomar o campo de ataque, em exibição à altura da história colorada. De tanto pressionar, aos 22 minutos o Clube do Povo conseguiu mais um de seus tantos escanteios. Este, cobrado por Daniel Carvalho na cabeça de Vinícius, que não perdoou.

    O empate era nosso, mas ele não satisfazia a vontade alvirrubra. Muricy sabia disso, e mandou a campo Diego na vaga de Feijão. Aos 40 minutos, o jovem atacante fez grande jogada tabelando com Daniel Carvalho. Também prata da casa, o camisa 8 foi genial para, como um atleta de futsal, usar da sola e do gingado de sua canhota contra o ferrolho azul. Desta forma superou, primeiro, três marcadores. Depois, preciso, finalizou colocado, no cantinho. Era a virada. No jogo, mas também de chave. Um Inter futuro campeão de América e Mundo começava a nascer.

    Grande nome do clássico, Daniel Carvalho concedeu entrevista exclusiva para a Rádio Colorada na manhã desta quarta-feira (11/03), véspera do Gre-Nal 424. Também protagonista no único duelo entre Inter e Grêmio já disputado por torneios continentais, no caso o embate que serviu de abertura à Sul-Americana de 2008, o ex-atleta, marcado na biografia colorada, relembrou sua história na maior rivalidade gaúcha, destacando o divisor de águas que a vitória no Olímpico, no ano de 2003, representou em sua carreira. Confira:


    Quando Nilmar batizou o Olímpico

    Houve quem acreditasse que o Inter seria triturado no Gre-Nal 358, disputado em 7 de março de 2004. Integrante do segundo turno do Gauchão, o clássico esteve marcado, ao longo de toda a semana que lhe serviu de véspera, por relativa arrogância de parte do lado azul, que cantou vitória, por dias, aos quatro cantos. Dentro de campo, todavia, o roteiro acabou se provando bastante diferente daquele esperado pelos mandantes.

    Em busca do Tri, o Inter do técnico Lori Sandri foi a campo com Clemer no gol; Bolívar, Alexandre Lopes, Edinho e Chiquinho, depois Kauê na defesa; Marabá, Wellington, Cleiton Xavier e Élder Granja, depois Fernando Miguel no meio; Nilmar, depois Diego, e Oséas no ataque. Destes, absolutamente todos, sem exceção, estiveram impecáveis, oferecendo à torcida colorada uma atuação de luxo, abrilhantada logo aos 14 com o primeiro gol do confronto. Neste instante, Chiquinho avançou até as cercanias da área gremista pela esquerda e, de canhota, levantou na cabeça de Granja, que fuzilou as redes de Tavarelli sem chance de defesa.

    Iniciada a segunda etapa, o Clube do Povo manteve o ímpeto. Prova disso foi a grande arrancada de Wellington, aos oito do segundo tempo, que pelo centro costurou a defesa gremista e lançou Nilmar, nas costas do marcação. Endiabrado como de costume, recebendo bola na medida para aprontar das suas, o jovem velocista, de frente para o gol, dominou de esquerda e, com a direita, tocou na saída do arqueiro. O Inter marcava o segundo, garantindo vitória até diminuída no escore por Christian, mas nem por isso menos comemorada pelos cerca de oito mil colorados presentes no campo da Azenha. Mais uma vez, os três pontos eram nossos. Triturante Internacional!


    Definitivamente, 2004 foi especial para a torcida colorada no que se refere a confrontos contra seu maior rival. Marcada por grande supremacia vermelha, a temporada viu o Inter vencer, após o clássico da arrancada de Nilmar, mais três Gre-Nais antes do último duelo entre as equipes no ano, realizado em 23 de outubro.

    Contando com um já ambientado Fernandão no comando do ataque, vestindo a 9 e empunhando a braçadeira, autor dos gols de número 1.000 e 1.001 da história do embate em jornadas passadas, o Clube do Povo partiu para o Olímpico decidido a reeditar o Rolo Compressor e, assim, garantir seu quinto triunfo sobre o Grêmio no ano, feito ocorrido pela última vez em 1947. Para tanto, Muricy Ramalho escolheu como titulares Clemer; Wilson, Sangaletti e Vinícius; Gavilán, Edinho, Marabá, Cleiton Xavier e Chiquinho; Diego e Fernandão. Além destes, Bolívar, Rodrigo Paulista e Galego também foram a campo no clássico, de número 363.

    Ameaçado pelo fantasma do rebaixamento, o time da casa até tomou a iniciativa no primeiro tempo e criou boas oportunidades, todas travadas por Clemer, futuro ídolo colorado e grande responsável por manter o placar inalterado até o momento da descida para os vestiários. Igualdade esta, registre-se, que em nada interessava ao Inter.

    Lançado a campo na vaga de Cleiton Xavier, Rodrigo Paulista se provou um talismã quando, aos 11 minutos, recebeu cruzamento de Chiquinho e finalizou colocado. Márcio deu um tapa, de leve, suficiente para empurrar a teimosa bola na direção do poste superior. O arqueiro azul só não contava com o faro artilheiro de Diego que, praticamente debaixo das traves, completou, de cabeça, em direção à cidadela tricolor. Inter na frente. Grêmio, cada vez mais tenso, baleado. Logo depois, aos 29, nocauteado por cabeceio de Fernandão, que se antecipou à defesa após escanteio cobrado da esquerda e testou para as redes. Predestinado capitão, em sua festa pelo tento celebrou, talvez involuntariamente, emulando Escurinho, extravasando no mais sincero mexer de braços e pernas tradicional àqueles que, mais do que atletas, são também do Clube do Povo torcedores.

    Aos 38 foi a vez de Paulista, já decisivo, furar as redes gremistas com chute forte, indefensável, que consagrou o triunfo colorado. Anderson, nos acréscimos, ainda descontou para os locais, finalizando o marcador em um respeitável, e justo, 3 a 1 colorado.


    Antes de ganhar o mundo era necessário reafirmar nossa soberania no Rio Grande

    Campeão da América e contando com inesquecível esquadrão, o Inter talvez tenha escrito a maior de suas temporadas no ano de 2006. Dono do continente, o Clube do Povo ainda bateu na trave em nível nacional, ficando com a prata naquela temporada. Gigante, a campanha colorada no Brasileirão, marcada pela seriedade de um grupo sedento por todos os títulos possíveis, deu corpo à equipe que disputaria, no Japão, o Mundial de Clubes da Fifa, possibilitando ao técnico Abel Braga tempo suficiente para superar as perdas de Jorge Wagner, Bolívar, Tinga e Sobis, titulares negociados após a conquista da Libertadores.

    Foram várias as partidas do returno nacional que adicionaram ainda mais força ao escrete vermelho. A mais especial, talvez, disputada contra o Grêmio diante de quase 35 mil pessoas em um Olímpico empolgado. Afinal de contas, ainda machucados pelo título continental do Clube do Povo, os tricolores tinham a certeza de que poderiam perturbar a preparação colorada para o Mundial. Equivocados, acabaram conhecendo um trio que se preparava para fazer história.

    Escalado com Renan; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Perdigão, depois Adriano, e Alex; Iarley, depois Fabinho, e Luiz Adriano, depois Rentería; o time do técnico Abel Braga segurou o ímpeto mandante na etapa inicial. Nos 45 minutos finais, por outro lado, mais ofensivo após algumas mudanças, criou suas oportunidades. Na melhor delas, aos 19, Alex alçou lateral para a área buscando Luiz Adriano. De casquinha, para trás, o jovem deixou com Gabiru. Dele, também de cabeça, para Iarley, que não perdoou. A trinca que aterrorizaria catalães no Japão, assim, pegava entrosamento amaldiçoando vizinhos do sul. Vitória por 1 a 0 garantida, e a estrela de nosso camisa 10, notável, cada vez mais afirmada.


    Derrotado por 3 a 2 na partida de ida da decisão do Gauchão de 2011, o Inter partiu para o Olímpico, no início da tarde do domingo 15 de maio, decidido a surpreender os desavisados de seu gigantismo. Tido por grande parte da crônica como derrotado, o Clube do Povo, campeão da Libertadores no ano anterior, comandado pelo Rei Falcão, buscava seu 40º título estadual. Em desvantagem no agregado e desmerecido pelo público, o Colorado disputou o clássico consciente de que não existia caminho melhor para levantar a taça do que a tradição alvirrubra. Milhares de torcedores vermelhos localizados no anel inferior da casa gremista fizeram questão de reforçar esta receita aos jogadores constantemente, ao longo de cada segundo que integrou os 90 minutos de jogo.

    Inicialmente escalado com Renan; Bolívar, Índio e Juan Jesus; Nei, Guiñazú, Bolatti, Andrezinho, D’Alessandro e Kleber; Leandro Damião; o Clube do Povo não esteve bem nos 30 minutos que abriram o confronto. Sofrendo para criar oportunidades, ainda viu os mandantes abrirem o placar com Lúcio, aos 15. Diante da gravidade do cenário, não restava dúvida de que, para sair com o título, era preciso mudar. E Falcão mudou.

    Na vaga de Juan entrou Zé Roberto. Do 3-6-1, o Inter passou ao esquema 4-4-2. Tradicional formação do futebol, ficou harmônica sob a batuta do canhoto maestro D’Alessandro, e potencializada nos graves da dupla Damião e Zé, como a primeira participação do camisa 18 na partida, servindo cruzamento rasteiro para o 9 após receber passe do 10, comprova. Com a redonda em sua posse, o artilheiro alvirrubro levou ela para o fundo e, sem ângulo, soltou bomba que estufou as redes de Victor. Aos 31, já tínhamos o empate. Aos 46, chegaria a virada.

    Zé Roberto cobrou escanteio da direita que a zaga cortou parcialmente. Manco e lesionado, Andrezinho pegou a sobra na entrada da meia-lua. Visivelmente abraçado pela áurea do travesso mascote Saci, mandou colocado, no cantinho, sem chances de defesa. Restava um, e o intervalo era oficializado. Mera formalidade, por óbvio, pois não existia atleta capaz de tirar a cabeça do gramado. Em um piscar de olhos o jogo foi reiniciado, agora com Oscar no lugar do recente artilheiro, inaugurando um segundo tempo enrolado, é verdade, mas essencialmente brigado.

    De tanto ver os jogadores de linha disputando, Victor decidiu, também ele, lutar, e, com uma tesoura, derrubou Zé. Pênalti, aos 27 do segundo tempo, que o genial D’Alessandro transformou em gol. Poucos minutos depois, contudo, Borges descontou e levou a decisão para as penalidades. Na marca da cal, D’Ale brilhou, Renan salvou, Zé Roberto encerrou e o povo colorado comemorou.

    Campeão, coube ao Inter a responsabilidade de erguer o último troféu da história do Olímpico, histórico palco do futebol gaúcho que em 1954 batizamos ao vencer o primeiro clássico de sua vida por 6 a 2, com show de Larry. Cíclica como de costume, a história se travestiu de perfeito enredo aos melódicos e criativos compositores alvirrubros, que da Érico Veríssimo partiram, em direção à beira do Guaíba, cantarolando embebedados de alegria os relatos da vitoriosa epopeia de taça laventada na Azenha outra vez. Como da primeira vez!