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    Duda Luizelli deixa o Inter para assumir cargo na CBF

    Fotos: Mariana Capra/Internacional

    Mulher, atleta, gestora, empresária. Hoje agradecemos um grande nome do futebol feminino do Internacional: Eduarda Luizelli, ou Duda, como é carinhosamente chamada por grupo e torcida. Por todo o empenho e dedicação, pelo que construiu como jogadora, e também como gestora, pelo que fez pelo crescimento do futebol feminino do Rio Grande do Sul e do Brasil, pela paixão com que conduz as Gurias Coloradas.

    Foram muitos anos lutando pelo futebol feminino dentro do clube do coração, primeiramente como atleta e, a partir de 2017, como coordenadora técnica do futebol feminino do Internacional. O trabalho impecável rendeu frutos não apenas no Colorado, chamando a atenção da CBF, que passa a ter uma nova liderança para o futebol feminino dentro da instituição. 

    A TRAJETÓRIA

    Duda começou sua trajetória no futebol inspirada por um vizinho que jogava com ela pelos corredores do prédio onde moravam, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Esse vizinho era Valdomiro Vaz Franco, ponta direita e ídolo do Sport Club Internacional na década de 70. Foi também nessa década que o futebol deixou de ser uma prática proibida para as mulheres e, por isso, Eduarda Luizelli fez parte da primeira geração de jogadoras do Rio Grande do Sul.

    Duda tinha 13 anos quando chegou aos campos do Internacional. Através de uma avaliação técnica ocorrida no Estádio Beira-Rio, onde esteve acompanhada dos pais, seu talento com a bola transpareceu e chamou a atenção dos avaliadores. Na época, não existiam categorias de base e a jovem Duda foi selecionada para integrar a equipe adulta. O primeiro time de futebol feminino Colorado surgiu em 1984 e tinha como meta disputar a II Taça Brasil de Futebol Feminino, que aconteceria em Campinas (SP). Este foi o primeiro campeonato oficial de Duda, que, durante a disputa do terceiro lugar, estreou como jogadora de futebol aos 13 anos. Faltando 15 minutos para o final da partida, Duda foi chamada para entrar em campo. Naquele momento o jogo estava 2 a 2. Na primeira bola recebida em um lançamento da goleira, deu um toque para a frente e saiu correndo, enquanto as zagueiras ficaram para trás. Gol e vitória do Internacional.

    Em 1987, após atingir o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, o Departamento de Futebol Feminino do Internacional foi fechado, e as competições organizadas pela Federação Gaúcha, suspensas. Com isso, Duda rumou para o futsal, tendo atuado na equipe Sociedade Esportiva Recreativa das Bruxas até 1994, quando recebeu convite para atuar na Itália, onde defenderia Milan e Verona Enquanto jogadora de futsal, a atleta cursou graduação em Educação Física no Instituto Porto Alegre (IPA).

    Em 1993, Duda foi uma das 18 atletas que compuseram o plantel da recém criada Seleção Gaúcha. Em 1995, foi chamada para representar a Seleção Brasileira no II Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino, ocorrido em Uberlândia (MG). A última participação de Duda na Seleção Brasileira aconteceu no Campeonato Sul-Americano de 1998, na Argentina, conquistando o bicampeonato e levantando a taça em todas as edições da competição em que atuou.

    Em 1996, por iniciativa de Eduarda Luizelli, o Internacional retoma a prática da modalidade com a reabertura do Departamento de Futebol Feminino do Clube. Duda ajudou a difundir a modalidade e, além de atleta, se tornou coordenadora da escolinha de futebol, também iniciada por ela. 

    Em 1997, com uma equipe que tinha como base as alunas formadas na escolinha, o time adulto participou do primeiro jogo oficial, contra o Pelotas, vencendo por 9 a 1, com 5 gols da camisa 10. Em abril daquele ano, o Inter participou da I Copa Sesc de Futebol Feminino, realizada no estádio Cristo Rei, em São Leopoldo. Aplicando 1 a 0 no Pelotas no duelo final, o Internacional conquistava seu primeiro título regional. 

    Ainda em 1997, em Gramado (RS), aconteceu a primeira Copa Inverno, marcada pelo primeiro Gre-Nal do futebol feminino da nova geração. Com dois gols de Duda, a equipe colorada venceu as rivais por 3 a 0 e garantiu a taça da competição. O futebol feminino seguia crescendo e voltou a chamar a atenção da Federação Gaúcha de Futebol, que organizou o primeiro estadual da nova geração. Durante a preparação para a grande final contra o Gramadense, Duda foi convocada para a Seleção Brasileira e decidiu não desfalcar a equipe na final da primeira edição do Gauchão Feminino, atrasando sua apresentação no time Canarinho. A presença da atleta foi fundamental para o Internacional, pois foi dos pés de Duda, na cobrança de uma falta, que saiu o gol de empate. Nos pênaltis, o Colorado sagrou-se o primeiro Campeão Gaúcho de futebol feminino.

    O ano era 1998. E o futebol feminino do Inter ganhou espaço no gramado do Estádio Beira-Rio. Era preliminar de Inter e Botafogo, pelo Brasileirão masculino, mas de repente, virou a atração principal daquela tarde. Duda, até então a dona da camisa 10 colorada e da Seleção Brasileira, marcou cinco gols na goleada por 9 a 0 naquele clássico Gre-Nal que valia pela primeira fase do Estadual de Futebol Feminino daquele ano. Levou a torcida ao delírio.

    Na final da competição, também contra o Grêmio, o Beira-Rio foi palco do bicampeonato invicto. No placar de 2 a 0, Duda deixou o seu e garantiu a artilharia da competição com 18 gols. Em 1999, a equipe feminina foi Tri-Campeã Gaúcha e conquistou o quarto Lugar no Campeonato Brasileiro. A camisa 10 se destacou mais uma vez, tendo marcado dez dos 28 do Internacional na competição nacional.

    Em 2000, foram campeãs da Copa Sul e, em 2001, conquistaram o bicampeonato. Também, foram campeãs da Copa Cidade de Gravataí e terminaram o Campeonato Brasileiro na terceira colocação. No Campeonato Brasileiro de 2001, o Inter conquistou sua melhor colocação: o terceiro lugar após derrotar o Grêmio. Na ocasião, Duda foi a artilheira da competição. 

    Em 2002  o Inter conquistou o tetracampeonato Gaúcho, após bater o Grêmio em jogo histórico. Duda iniciou no banco de reservas e assistiu o rival abrir uma vantagem de três gols. Aos 20 minutos do segundo tempo foi chamada para entrar na partida e transformou o jogo. A camisa 10 marcou quatro gols para o Internacional e foi a responsável pelo título colorado. Duda iniciou a partida no banco pois estava grávida do primeiro filho, descoberta feita uma semana antes da partida e comunicada à comissão técnica, que optou pela preservação da atleta. Aquele seria o último jogo de Duda com a camisa do Internacional.

    O Departamento de Futebol Feminino do Internacional encerrou suas atividades em 2004, coincidindo com o encerramento da carreira de Duda como jogadora. A escolinha de Duda exclusiva para meninas, funcionou dentro do Clube por nove anos. Durante o período, nove mil meninas passaram pelo campo do Parque Gigante e muitas jogadoras que viriam a servir as categorias de base e equipe adulta da Seleção Brasileira surgiram ali. Posteriormente, fundou sua própria escola, a Escola de Futebol da Duda, impulsionada pela referência que se tornou no futebol gaúcho e por sua vocação para a gestão esportiva.

    Em 23 de fevereiro de 2017, após 14 anos, o futebol feminino do Internacional estava de volta buscando se tornar uma das potências do país. Em coletiva de imprensa realizada no estádio Beira-Rio, o presidente Marcelo Medeiros, ao lado do vice-presidente de relacionamento social Norberto Guimarães, anunciou o retorno da modalidade ao Clube do Povo e apresentou Duda como gerente de futebol e responsável pelo projeto.

    Na ocasião, Medeiros declarou: “É com grande satisfação que o Inter recebe o retorno da Duda, uma atleta que vestiu a camisa colorada com técnica, qualidade, paixão e com muita competência”. A ex-atleta colorada e da Seleção Brasileira se emocionou com o momento e disse: “O Inter, em 2 ou 3 anos, será uma das melhores equipes do Brasil, e a gente vai buscar alegria pro povo colorado”.

    Mais de três anos se passaram e hoje podemos afirmar que o Internacional é uma das melhores equipes do Brasil. Em 2017, a equipe adulta conquistou o Gauchão e a vaga para a série A2 do Campeonato Brasileiro. Em 2018, chegou à semifinal da competição nacional e foi vice-campeã do estadual, além de conquistar a Copa Encantado. Em 2019, ascenderam à elite do futebol brasileiro, a série A1, acabando na quinta colocação e garantindo mais uma taça gaúcha no final da temporada.

    As categorias de base também somam títulos. Em 2017, a equipe Sub-17 conquistou o Gauchão e a Sub-15 ficou com o vice-campeonato. Em 2018,  o Sub-18 foi campeão do Gauchão e da Copa Encantado, já a categoria Sub-15 vice-campeã estadual e finalista da Liga de Desenvolvimento da CONMEBOL. Em 2019, a base foi campeã gaúcha nas três categorias, Sub-18, Sub-16 e Sub-14. O Sub-18 conquistou a primeira edição Brasileirão da categoria. A Sub-16 foi campeã da Liga de Desenvolvimento da CONMEBOL e a Sub-14, vice. Em 2020, logo no início do ano, a categoria Sub-16 sagrou-se campeã da Libertadores Feminina. A evolução do futebol feminino colorado é notável e fruto de muito planejamento e dedicação.

    Junto com a reativação da modalidade no Clube, no dia 1º de março surgia também a Escolinha Gurias Coloradas, com sede no Parque Gigante, para alunas a partir dos seis anos de idade. Mais um projeto sob coordenação de Duda que rendeu frutos e construiu a base das equipes Sub-14 e Sub-16 nos anos seguintes.

    Duda foi homenageada na exposição “A Conquista do Campo: O Futebol Feminino no S.C.I.”, organizada pelo Museu do Inter, resgatando a história do futebol feminino colorado, em 18 de maio de 2017. Na inauguração da mostra, Duda declarou: “Hoje eu posso dizer que as nossas lembranças estão no lugar certo. Isso me dá um orgulho imenso”.

    A ex-atleta e gestora também teve sua história contada no livro “Sabe aquele gol que o Pelé não fez? Eu fiz! – A trajetória esportiva de Duda”, das autoras Suellen Ramos e Silvana Goellner. O lançamento da obra aconteceu no Museu do Inter em setembro de 2018 e contou com sessão de autógrafos de Duda e das autoras.

    Obrigado, Duda! De craque dentro dos gramados, vimos o surgimento de uma grande gestora. Desejamos sucesso nos novos desafios da carreira.

    “A saída da Duda para a CBF representa o coroamento de um trabalho realizado e efetuado à várias mãos, desde 2017, e isso nos deixa muito orgulhosos, pois prova que sempre trabalhamos de forma reta e fazendo o melhor, tanto que a própria CBF reconheceu, levando nossa profissional”, pondera Norberto Guimarães, vice-presidente de Relacionamento Social.

    Será feita uma reunião ainda nesta semana com a comissão técnica e demais integrantes administrativos, para readequação de funções e ajustes de tarefas.

    Fontes consultadas: site do Inter, Arquivo Histórico do Sport Club Internacional e livro “Sabe aquele gol que o Pelé não fez? Eu fiz! – A trajetória esportiva de Duda”.